Coreia do Norte rejeita ajuda médica de US$ 6,75 milhões oferecida pela Coreia do Sul
Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, classificou a proposta como provocação política e violação da soberania do país

A Coreia do Norte rejeitou nesta quinta-feira (8) uma proposta da Coreia do Sul para enviar aproximadamente US$ 6,75 milhões em equipamentos médicos a um hospital de Pyongyang, capital norte-coreana. Kim Yo-jong, irmã do líder Kim Jong-un e dirigente do Partido dos Trabalhadores, classificou a iniciativa como uma provocação política, um insulto ao país e uma violação de sua soberania.
Em declaração divulgada pela agência estatal Korean Central News Agency (KCNA), Kim acusou o governo sul-coreano de utilizar a assistência humanitária para promover sua imagem internacional e apresentar Pyongyang como contrário à cooperação. A dirigente também reafirmou que a Coreia do Norte não pretende retomar o diálogo com Seul nas atuais condições das relações entre os dois países.
O projeto previa o envio de 1.431 equipamentos e materiais médicos, distribuídos em 166 categorias, ao Hospital do Condado de Kangdong, localizado na região de Pyongyang. Entre os itens estavam aparelhos de raio-X, estetoscópios, medidores de pressão arterial, mesas cirúrgicas e outros instrumentos destinados a exames, cirurgias e tratamentos.
A Coreia do Sul havia obtido, em 22 de maio, uma autorização do comitê de sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para realizar a operação. A liberação era necessária porque a Coreia do Norte está sujeita a restrições internacionais que também afetam a transferência de determinados equipamentos e tecnologias. O envio estava inicialmente previsto para novembro.
A rejeição também foi relacionada por Kim Yo-jong às explosões de minas terrestres ocorridas em 21 de setembro na Zona Desmilitarizada, faixa de território que separa as duas Coreias. O incidente deixou três militares sul-coreanos feridos, dois deles gravemente.
O governo de Seul responsabiliza minas instaladas pela Coreia do Norte pelas explosões, com base em uma investigação realizada em conjunto com o Comando das Nações Unidas. Pyongyang, por sua vez, rejeita as acusações e nega ter provocado deliberadamente o incidente. Kim criticou a postura sul-coreana de oferecer assistência humanitária enquanto mantém acusações contra o Norte.
Apesar da recusa, o Ministério da Unificação da Coreia do Sul mantém a posição de que a assistência humanitária deve ser oferecida independentemente das tensões políticas e militares. Um representante da pasta, entretanto, reconheceu que o envio dos equipamentos dificilmente ocorrerá dentro do prazo inicialmente estabelecido, diante da ausência de entendimento com o governo norte-coreano.
Caso seja necessário, Seul poderá solicitar à ONU a prorrogação da autorização para a transferência dos materiais. A iniciativa faz parte dos esforços do governo sul-coreano para manter possibilidades de cooperação humanitária, mesmo diante da resistência de Pyongyang.
A recusa ocorre em um período de deterioração das relações entre as duas Coreias, marcado pela interrupção dos canais de diálogo, pelo aumento das tensões militares na fronteira e pela posição do governo norte-coreano de tratar a Coreia do Sul como um Estado hostil.



