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Menos de 40% dos sul-coreanos consideram necessária reunificação com a Coreia do Norte

Pesquisa mostra queda no apoio à reunificação e aponta resistência ainda maior entre pessoas na faixa dos 20 e 30 anos

Menos de 40% dos sul-coreanos consideram necessária reunificação com a Coreia do Norte
Bandeiras da Coreia do Sul e da Coreia do Norte aparecem lado a lado em imagem ilustrativa sobre a reunificação da Península Coreana.

A parcela de sul-coreanos que considera necessária a reunificação com a Coreia do Norte caiu para 39% em 2026, segundo pesquisa encomendada pelo Instituto de Estudos para Paz e Unificação da Universidade Nacional de Seul. O resultado representa uma queda em relação aos 41,1% registrados em 2025 e é o segundo menor índice desde o início da série histórica, em 2007.


Quando o levantamento começou, há quase duas décadas, 63,8% dos entrevistados afirmavam que a reunificação era necessária. Em 2026, 32,2% disseram considerar a união das duas Coreias desnecessária, ante 30,4% no ano anterior e 15,1% em 2007. O menor percentual de apoio à reunificação foi registrado em 2024, quando ficou em 36,9%.


A distância em relação à ideia de reunificação é maior entre as gerações mais jovens. Entre os entrevistados na faixa dos 20 anos, apenas 25,2% disseram considerar necessária a união com o Norte, enquanto 44,8% responderam que ela não é necessária. Na faixa dos 30 anos, os percentuais foram de 27% e 47%, respectivamente. 


A pesquisa também perguntou aos participantes qual deveria ser o futuro da relação entre as duas Coreias. A opção de aguardar condições favoráveis para uma reunificação gradual foi escolhida por 42,7% dos entrevistados. Já 31,5% afirmaram preferir que a situação permaneça como está, com Norte e Sul separados, maior percentual registrado para essa resposta desde 2007. No primeiro levantamento, essa opção havia sido escolhida por 11,8%.


O pessimismo também aparece quando os participantes são questionados sobre a possibilidade de uma reunificação. Para 39,1%, a união entre os dois países é impossível, maior índice da série histórica. Outros 27,5% responderam que ela levaria pelo menos 30 anos, indicando que aproximadamente dois terços dos entrevistados não esperam uma reunificação dentro das próximas três décadas. 


Apesar da crescente resistência à reunificação, os resultados não indicam necessariamente uma rejeição a qualquer tipo de cooperação entre Seul e Pyongyang. A parcela que considera a Coreia do Norte um "parceiro de cooperação" chegou a 38,7%, alta de 4,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para o instituto, os números apontam para uma maior valorização de formas práticas de cooperação destinadas à administração das tensões na Península Coreana.


Quando questionados sobre qual deveria ser o principal objetivo da política do governo sul-coreano em relação ao Norte, 61,6% escolheram a coexistência pacífica e o estabelecimento da paz. Outros 22,6% apontaram reformas, abertura e a formação de uma comunidade econômica, enquanto 15,3% escolheram a reunificação das Coreias.


O levantamento de 2026 foi realizado pela Gallup Korea entre 1º e 26 de julho, por meio de entrevistas presenciais com 1.200 pessoas de 19 a 74 anos residentes nas 17 divisões administrativas de primeiro nível da Coreia do Sul. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O Instituto de Estudos para Paz e Unificação da Universidade Nacional de Seul realiza a pesquisa anualmente desde 2007 para acompanhar as mudanças na percepção dos sul-coreanos sobre reunificação, Coreia do Norte e política intercoreana. 

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Sobre o autor

Gustavo Santana

Jornalista, fundador e diretor editorial do Descobertas Orientais. Especialista em Marketing Digital, atua na cobertura de temas relacionados ao Japão, Coreia do Sul, China e cultura asiática.